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NHANHÁ TARGINA
Iguape, em todas as épocas, sempre teve os seus tipos populares. Entre eles, merece especial destaque a figura sempre lembrada e inconfundível de Anna Lisboa, ou melhor, a pitoresca “Nhanhá Targina”.
Anna Lisboa era irmã de Marçal Lisboa, grande músico iguapense, exímio clarinetista. Era prima, dentre outros, dos senhores Manoel Santiago da Silva (que foi contador em Iguape); João Bonifácio da Silva (contador e ex-prefeito de Iguape); e Antônio Felipe da Silva (outro notório personagem iguapense que, quando a sua mãe pedia para comprar fósforos no comércio local, ele seguia a linha do telégrafo até Santos, de onde retornava, dias depois, com a caixa de fósforos).
Nhanhá Targina morava numa casa onde hoje se localiza a loja “Simões Calçados”, à Rua Paulo Moutinho (ou melhor, no espaço hoje compreendido por essa loja, existiam, antigamente, as casas de Nhanhá Targina e de dona Perpétua Lustosa). Morava em sua casa uma outra mulher, chamada Isabel, que, mais tarde, foi casada com o sr. Wanderli, filho do tenente Manoel Arquimedes Vieira, que foi encarregado da Capitania dos Portos de Iguape, na década de 1940.
Nhanhá Targina era costureira; bordava muito bem. Possuía um leve desiquilíbrio emocional. Não era totalmente “doida”, mas irritava-se facilmente, portanto não era pessoa tida como “normal”, no convívio da cidade. Conversava bem e sabia o que queria. Na verdade, as pessoas mexiam muito com ela, e ela se exasperava.
Na juventude, Nhanhá Targina pertenceu a agremiações carnavalescas da cidade, notadamente o antológico “Grêmio das Violetas”, fundado no Carnaval de 1923, que marcou época em Iguape.
Nhanhá Targina era muito popular e conhecida por todos da cidade. A molecada da escola perturbava-a muito. Gritavam: “Nhanhá Boi!”. Ela respondia: “Sua mãe é a vaca!” (ou “vaca velha”). Quando alguém tossia e escarrava à sua passagem, ela gritava: “Cão leproso!”, considerando isso muita falta de educação.
Todos os anos, Nhanhá Targina participava da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Cananéia. Era uma farra a bordo do vapor “Bento Martins”, durante a viagem. Lá em Cananéia, Nhanhá Targina se hospedava na casa de uma comadre (assim ela dizia ser), chamada “Carmen Miranda”, pelos dias da festa e a saída do vapor de volta.
(Por Roberto Fortes, com dados fornecidos pelo Prof. José Rubens de Oliveira Fortes. Foto: “Grêmio das Violetas” (detalhe), 1923, Arquivo Família Fortes. Direitos Reservados).
12/07/2008 Publicada por Roberto Fortes
Iguape, em todas as épocas, sempre teve os seus tipos populares. Entre eles, merece especial destaque a figura sempre lembrada e inconfundível de Anna Lisboa, ou melhor, a pitoresca “Nhanhá Targina”.
Anna Lisboa era irmã de Marçal Lisboa, grande músico iguapense, exímio clarinetista. Era prima, dentre outros, dos senhores Manoel Santiago da Silva (que foi contador em Iguape); João Bonifácio da Silva (contador e ex-prefeito de Iguape); e Antônio Felipe da Silva (outro notório personagem iguapense que, quando a sua mãe pedia para comprar fósforos no comércio local, ele seguia a linha do telégrafo até Santos, de onde retornava, dias depois, com a caixa de fósforos).
Nhanhá Targina morava numa casa onde hoje se localiza a loja “Simões Calçados”, à Rua Paulo Moutinho (ou melhor, no espaço hoje compreendido por essa loja, existiam, antigamente, as casas de Nhanhá Targina e de dona Perpétua Lustosa). Morava em sua casa uma outra mulher, chamada Isabel, que, mais tarde, foi casada com o sr. Wanderli, filho do tenente Manoel Arquimedes Vieira, que foi encarregado da Capitania dos Portos de Iguape, na década de 1940.
Nhanhá Targina era costureira; bordava muito bem. Possuía um leve desiquilíbrio emocional. Não era totalmente “doida”, mas irritava-se facilmente, portanto não era pessoa tida como “normal”, no convívio da cidade. Conversava bem e sabia o que queria. Na verdade, as pessoas mexiam muito com ela, e ela se exasperava.
Na juventude, Nhanhá Targina pertenceu a agremiações carnavalescas da cidade, notadamente o antológico “Grêmio das Violetas”, fundado no Carnaval de 1923, que marcou época em Iguape.
Nhanhá Targina era muito popular e conhecida por todos da cidade. A molecada da escola perturbava-a muito. Gritavam: “Nhanhá Boi!”. Ela respondia: “Sua mãe é a vaca!” (ou “vaca velha”). Quando alguém tossia e escarrava à sua passagem, ela gritava: “Cão leproso!”, considerando isso muita falta de educação.
Todos os anos, Nhanhá Targina participava da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Cananéia. Era uma farra a bordo do vapor “Bento Martins”, durante a viagem. Lá em Cananéia, Nhanhá Targina se hospedava na casa de uma comadre (assim ela dizia ser), chamada “Carmen Miranda”, pelos dias da festa e a saída do vapor de volta.
(Por Roberto Fortes, com dados fornecidos pelo Prof. José Rubens de Oliveira Fortes. Foto: “Grêmio das Violetas” (detalhe), 1923, Arquivo Família Fortes. Direitos Reservados).
12/07/2008 Publicada por Roberto Fortes
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