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O OUVIDOR DE PARANAGUÁ

Em seu diário pessoal, escrito entre 1862 e 1880, o comendador Luiz Álvares da Silva, importante político e agricultor durante o Segundo Império, escreveu interessantes linhas sobre a visita que fez a Iguape um certo Ouvidor. Segundo o comendador, certa feita (presumivelmente nos anos coloniais) chegou na cidade um Ouvidor, vindo de Paranaguá, à cuja comarca Iguape era jurisdicionada, ficando hospedado numa casa que pertencia à Irmandade do Bom Jesus.

O Ouvidor, como não poderia deixar de ser, foi cercado de atenções e recebeu todas as honras dedicadas às pessoas ilustres. Terminada a correição, o Ouvidor retornou à Paranaguá.

Foi então que se mandou retirar da casa onde ficara hospedado os trastes que ali havia deixado. E qual não foi a surpresa quando encontraram escritas, numa das paredes, algumas quadrinhas jocosas contra a cidade e sua gente:

Em Iguape o que não diminui, antes aumenta,
É a língua.

Em Iguape o que não há nenhum
É jejum.

Em Iguape o que causa tormento
É o vento.

Com essas pequenas e engraçadas frases o Ouvidor de Paranaguá deixara impressa sua crítica contra a “língua grande” do povo, contra a gula e contra os ventos constantes que assolavam a cidade...

(Do livro “IGUAPE - NOSSA HISTÓRIA”, 2000, de ROBERTO FORTES)

Continuando as nossas pesquisas históricas, sempre nos perguntamos quem seria esse ouvidor que teria deixado uma “reprimenda” ao povo da cidade. Como se sabe, a Vila de Iguape pertenceu judiciariamente à Comarca de Paranaguá de 1723 a 1833, durante um período, portanto, de 110 anos.

O cargo de ouvidor de capitania foi criado no início do processo de colonização portuguesa na América, em 10 de março de 1534, com a finalidade de administrar a Justiça em conjunto com o capitão e governador. O ouvidor exercia a função de juiz, aplicando leis e resolvendo conflitos.

Alfredo de Toledo, no ensaio “Ouvidoria de Paranaguá” (publicado no volume XII da Revista do Instituto Histórico de São Paulo, 1907, págs. 262-274), cita pelo menos quatro ouvidores que passaram pela Vila de Iguape e baixaram provimentos. Vejamos quem foram:

Em 20 de abril de 1779, o ouvidor Antônio Barbosa de Matos Coutinho, estando na Vila de Iguape, baixou provimento, autorizando a Câmara “a assistir com o mantimento preciso os que fizessem o valo projetado para comunicar o rio da Ribeira com o mar, o que foi aprovado pelo governador da Capitania”. Foi a primeira (e frustrada) tentativa da abertura do Valo Grande, que só seria aberto efetivamente a partir de 1827.

Em 8 de agosto de 1787, o ouvidor Francisco Leandro de Toledo Rendon baixou provimento pelo qual mandava “que se prosseguissem na canalização da água da Fonte chamada do Senhor para o abastecimento da vila”.

Em 26 de agosto de 1809, o ouvidor Antônio Ribeiro de Carvalho passou provimento “para a limpeza e asseio do rego em que vinha a água para o abastecimento da vila”.

Em 3 de setembro de 1823, o ouvidor José de Azevedo Cabral passou provimento “que nenhuma pessoa distraísse (desviasse) para serventia particular, como o pretendia fazer Ignacio Marianno, as águas que abasteciam a vila”.

Será que foi um desses quatro o ouvidor que deu um “puxão de orelhas” nos iguapenses daquele tempo? Talvez nunca saibamos a resposta...

20/05/2018 Publicada por Roberto Fortes


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